terça-feira, 4 de maio de 2010

O GRITO DE JHONATAN

Raimundo Palhano

Que lúcido texto este seu sobre a volta do planejamento público autoritário no Maranhão. Além da proeza de buscar no denso universo literário de Camões a transversal inspiração, realiza a façanha de gritar fundo a tantos ouvidos moucos que nos rodeiam, alertando que houve sim unidade na diversidade durante o governo interrompido de Jackson Lago.

A capacidade dos grupos de interesse, liderados pelos hegemônicos Sarney, que controlam a política e a economia do Maranhão de produzir inverdades sobre a razão da queda do governo Lago é de tal forma poderosa que chega ao cúmulo de nascer no interior destes mencionados grupos as pautas utilizadas pela mídia para explicar as causas da queda.

O absurdo dos absurdos, presente nessa vergonhosa deturpação da história é quando importantes intelectuais, jornalistas e lideranças públicas, e até mesmo antigos aliados do governo deposto, assimilam tais pautas e elaboram análises exaustivas, supostamente verossímeis, sobre os "erros" cometidos, erros estes, todos eles, pautados pelos que arquitetaram o golpe judiciário e político. Uma engenharia fantástica que não se contenta apenas em mencionar os erros, mas em apontar também os supostos reponsáveis pela tragédia anunciada.

O mais dramático de tudo ocorreu no dia seguinte à evocação do primeiro ano da deposição. Em entrevista ao Jornal O Imparcial o nosso governador Jackson, talvez sob a pressão de análises falaciosas sobre a queda do seu governo, admite publicamente um "mea culpa", utilizada como título da matéria.

O também lúcido e inspirado sociólogo Leo Costa costuma dizer que Jackson não caiu por eventuais erros cometidos em seu governo, que certamente foram muitos, como querem fazer parecer os grupos dominantes da política maranhense. O governo Jackson caiu por suas virtudes, pelo que estava realizando e que iria fatalmente romper os paradígmas da dominação oligárquica tradicional.

Parabéns por ter escancarado a sua garganta, caro companheiro.

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